Um dos maiores avanços da ciência nos últimos anos, a impressão em 3D chegou à medicina. Desenvolvendo réplicas em dimensões reais de órgãos humanos permite, entre outras aplicações, auxiliar o cirurgião antes de uma operação. A partir de exames de imagem (como tomografias, ressonâncias magnéticas, PET scam), impressoras com tal tecnologia são capazes de reproduzir, com riqueza de detalhes, qualquer parte do corpo em materiais de diversas flexibilidades, cores e texturas. Essas réplicas são chamadas de biomodelos. No Brasil, quem desponta no mercado com o que há de mais inovador é a empresa BioArchitects.
“Os biomodelos tornam-se cada vez mais um auxílio indispensável para o planejamento cirúrgico, permitindo ao médico ‘treinar’ o procedimento na réplica antes da cirurgia de fato”, explica Walter Troccoli, sócio da BioArchitects, fundada em 2014, com sede em São Paulo e presente também nos Estados Unidos desde 2015. Hospitais renomados da capital paulista começam a conhecer mais de perto a tecnologia, percebendo que esse pode ser um diferencial competitivo essencial e um potencial redutor de custos.
A decisão dos sócios da empresa em investir no mercado 3D para medicina surgiu de uma pesquisa intensa sobre qual área no país se mostrava mais promissora em compreender e internalizar a capacidade dessa nova tecnologia. Médicos se mostraram curiosos e interessados, até com base em estudos internacionais que já apontavam, nos últimos cinco anos, quanto a ajuda de uma réplica de um órgão em 3D poderia minimizar riscos e trazer uma série de benefícios à saúde do paciente, quebrando paradigmas da medicina.
Os biomodelos da BioArchitects já foram usados em cirurgias de correção de múltiplas fraturas no tórax no Brasil. No primeiro caso, por exemplo, o cirurgião localizou com exatidão as fraturas nas costelas do paciente de 65 anos que foram consolidadas com placas de titânio. O uso da tecnologia evitou o desperdício de materiais, diminuiu o tempo de cirurgia e ganhou em qualidade. Sabendo quais eram as correções necessárias, ao invés de cinco placas previstas foram usadas apenas três. O biomodelo evitou surpresas corriqueiras como, por exemplo, encontrar um osso com fissuras a mais do que as esperadas, além de garantir ao médico acesso cirúrgico ao exato local da lesão.
No caso de pacientes infantis, os biomodelos reproduziram órgãos e tumores relacionados. Com os moldes nas mãos, os cirurgiões responsáveis tiveram melhor dimensão do estado de saúde das crianças e perceberam detalhes dos tumores que exames de imagem sozinhos eram incapazes de revelar. Todo procedimento cirúrgico foi modificado a partir do que mostraram os biomodelos.
Colocar o biomodelo como parte do procedimento cirúrgico traz vantagens para todos os envolvidos. Para o médico, maior precisão, melhor planejamento e até 40% de redução no tempo do procedimento. Para o paciente, menor risco no procedimento, menor carga de anestesia, menor dose de radiação, menor possibilidade de contaminação. “Importante frisar também a redução dos custos promovida pelos biomodelos”, explica Walter, da BioArchitects.
Os biomodelos da BioArchitects são projetados em um equipamento de tecnologia israelense de última geração.Trouxemos essa máquina com exclusividade para o país”, diz Felipe Marques, CEO da empresa. “É uma impressora capaz de produzir com perfeição biomodelos ao imprimir em múltiplos materiais e em uma gama diversa de cores. Isso permite diferenciar parte vascular, tecido, gordura, músculo, etc. Nenhuma outra máquina no Brasil alcança tamanha diferenciação.”
Os biomodelos desenvolvidos pela BioArchitects apresentam riqueza de detalhes que garantem melhores resultados nas abordagens cirúrgicas. O processo na prestação desse serviço passa por diversas etapas tendo como início o exame de imagem, posteriormente a segmentação para a prototipagem e, por fim, a impressão da peça. O prazo contemplando todas as etapas é variado, mas não passa de alguns dias.