A conferência de abertura foi dada pela CEO e presidenta da IBM, Virginia “Ginni” Rometty, quem disse que “estamos a tempo de transformar e reinventar o cuidado da saúde em uma era de medicina personalizada”. Nesse sentido, Rometty destacou o valor de Watson, o sistema de computação cognitiva da empresa, para acelerar o processo diagnóstico dos médicos. Também aproveitou para apresentar Watson Clinical Imaging Review, uma plataforma que revisa imagens e outros dados médicos para ajudar a identificar aqueles casos que requeiram maior atenção.

O impacto da tecnologia móvel sobre o cuidado dos pacientes, a segurança e o manejo de grandes volumes de dados, a medicina de precisão e o avanço de tecnologias baseadas na aprendizagem automática e inteligência artificial foram alguns dos principais protagonistas do evento. Mas as conferências e sessões educativas abordaram tópicos variados que foram divididos em seis grandes eixos: inteligência na clínica e nos negócios; saúde conectada; cibersegurança; intercâmbio de informação em saúde, interoperabilidade e acesso a bases de dados; desenvolvimento da força de trabalho; e políticas públicas de tecnologia em saúde.

O programa específico das atividades e as exposições durante o evento serviram como uma radiografia das iniciativas lançadas e as promessas feitas pelo campo dinâmico da saúde e a IT. Facilitou contatos e ofereceu múltiplas inspirações para que os participantes possam aplicar em suas próprias organizações. Como indicou Carla Smith, vice-presidenta executiva da HIMSS América do Norte em um comentário de clausura, “pudemos fazer com que a informação correta esteja disponível para as pessoas corretas no tempo correto, de modo tal de conseguir o melhor uso da IT em saúde”.

No domingo dia 19 apresentaram e discutiram, por exemplo, o desenvolvimento de um algoritmo para a detecção de sepsis usando tecnologias avançadas de aprendizagem automática; um registro médico longitudinal (MeRLin) que permite sua fácil visualização em uma tela só; a descrição da estratégia de um hospital infantil de Boston para defender-se com sucesso do ataque de “hacktivistas” de Anonymous; a utilização de uma plataforma de avaliação de risco de dispositivos biomédicos (MDRAP) ao longo de seu ciclo de vida; o impacto do intercâmbio de informação em organizações de saúde sobre a saúde da população; e a transformação do diagnóstico médico e dos paradigmas de tratamento pela inteligência artificial.

Na segunda-feira dia 21, entre outras sessões de conferências, abordaram soluções baseadas no padrão de interoperabilidade FHIR para permitir que os indivíduos acessem e compartilhem sua informação de saúde; a implementação do programa de e-saúde em escala nacional na Dinamarca; as necessidades de segurança para permitir o acesso sem fissuras aos dados; os avanços em supercomputação e inteligência aumentada para identificar e ler o “código” de cada célula tumoral; o impacto dos apps integrados em smartphones sobre a comunicação clínica; a aplicação de um app de gestão de ativos (SmartCAT) para digitalizar os fluxos de trabalho relacionados com protocolos de tratamento; e os mitos ao redor das barreiras que freiam uma maior participação digital dos pacientes.

Na terça-feira dia 22 foi a vez de exposições e debates sobre, por exemplo, um sistema de gestão do leite materno no ambiente hospitalar para melhorar a segurança do paciente; o uso da tecnologia digital para fortalecer os determinantes sociais de saúde; a integração de resultados genômicos no prontuário médico eletrônico; experiências imersivas de realidade virtual para a reabilitação de pacientes com lesões medulares; o monitoramento de próxima geração em pacientes com afecções respiratórias; os sete hábitos das organizações baseadas em dados; e o uso da aprendizagem automática e a análise de dados topológicos (TDA) para a segmentação dos pacientes e as oportunidades para o avanço da medicina de precisão.

Na quarta-feira dia 23, as diferentes sessões incluíram a experiência de uma gestão de alarmes centrada no paciente em uma unidade de cuidados intensivos pediátricos; estratégias de manejo de risco no contexto de recursos limitados; o uso de sistemas de localização em tempo real (RTLS) para aumentar um 50% a capacidade de atendimento de pacientes; um método para acelerar a extração de dados desde os prontuários médicos eletrônicos; a implementação de um programa de telemedicina para grupos desfavorecidos de pacientes com diabetes; a aplicação em saúde dos wearables e a internet das coisas; análise de dados semânticos para a interoperabilidade; e as fórmulas das organizações de saúde para não “perder” seus pacientes quando navegam em suas pesquisas de internet.

A última jornada, a de quinta-feira dia 23, contemplou apresentações sobre, por exemplo, os progressos dramáticos na aprendizagem automática para a interpretação das imagens diagnósticas; o impacto da interoperabilidade sobre o resultado das mamografias; a sala de pacientes do futuro; e o uso do processamento de linguagens naturais (NLP) para identificar deficiências em prontuários médicos eletrônicos.

As principais empresas da área também aproveitaram o evento para importantes anúncios e lançamentos. Alguns dos mais destacados foram:

*Philips anunciou o lançamento do Jovia Coach, um app para smartphones que combina tecnologia com coaching humano para pessoas em risco de diabetes tipo 2. O programa apoia os participantes para realizar exercício e adotar hábitos de dieta e de estilo de vida saudáveis com o objetivo de prevenir a enfermidade. “Em 2.040, um de cada dez adultos terá diabetes tipo 2. Estamos comprometidos a ajudar a guiar as pessoas para que tomem pequenos passos que melhorem sua saúde e reduzam o risco da doença”, disse Jørgen Behrens, líder de negócios de Soluções Pessoais de Saúde de Philips. Além disso, a empresa introduziu IntelliSpace Enterprise Edition, uma plataforma informática escalável e segura para hospitais e outras organizações de saúde que promete melhorar a qualidade de atendimento, a otimização dos recursos e a gestão, interoperabilidade, segurança e maximização do valor dos dados clínicos. A solução em princípio estará disponível na América do Norte.

*Big Clouds Analytics (BCA) apresentou EVŌ, um poderoso aplicativo móvel que se ajusta aos hábitos e aos comportamentos dos indivíduos para realizar recomendações personalizadas. “EVŌ combina dados biométricos, clínicos, psicométricos, de comportamento e de estilo de vida para produzir uma experiência de bem-estar personalizada ao longo da vida”, afirmou o CEO de BCA, JP Bewley. Estará disponível nos Estados Unidos a partir de abril de 2017.

*Medisafe, a plataforma líder de gestão personalizada de medicação, anunciou uma nova função que alerta os usuários (pacientes e provedores de saúde) com relação às possíveis interações droga-droga, droga-alimentos ou droga-álcool que poderiam causar efeitos adversos inesperados e/ou alterar a maneira como o fármaco age. “As interações perigosas impedem que as pessoas obtenham os benefícios esperados de seus regimes prescritos, provocam internações desnecessárias e até causam mortes prematuras”, afirmou Jon Michaeli, vice-presidente executivo de desenvolvimento de negócios e marketing de Medisafe.

*Commvault e TeraRecon apresentaram o desenvolvimento de uma interface WADO multicanal de altíssima performance que permitirá modernizar a maneira em que as organizações de saúde gestionam, migram, compartilham e visualizam as imagens médicas. “Estamos demolindo as barreiras tecnológicas para lograr velocidades de conexão mais rápidas e rápidas entre nosso visualizador de imagens e um impressionante arquivo de imagens”, indicou Jeff Sorenson, presidente e CEO da TeraRecon.

*Health Grid, a plataforma para “engagement”, o empoderamento dos pacientes de maior rápido crescimento nos Estados Unidos, anunciou que recebeu o Prêmio Microsoft 2017 à Inovação em Saúde. A distinção reconhece aqueles que usam dispositivos e serviços de Microsoft de maneiras inovadoras para ajudar a involucrar aos pacientes, empoderar as equipes de saúde, otimizar a efetividade clínica e operacional, y transformar o continuum de cuidado.

Outro ponto forte do encontro foi a apresentação de um estudo da HIMSS sobre liderança e força de trabalho em IT e saúde, realizado a partir de uma entrevista sobre 368 líderes na área dos Estados Unidos. Entre os resultados expostos, surgiu que a maioria dos empregadores (vendedores, consultores e provedores) têm posições laborais por cobrir, que entre 42 e 61 por cento incrementou seu staff durante 2016 e que até nove de cada dez projeta incrementar seus orçamentos para IT durante este ano.

Mas, para os profissionais da região, a HIMSS17 também funcionou como um chamado de atendimento e um motor para a ação. O Dr. Carlos Otero, informático médico do Hospital Italiano de Buenos Aires, participou do workshop latino-americano do encontro e saiu com uma convicção que publicou em sua conta (@charly_otero): “A América Latina merece um esforço para coordenar agendas entre países e atingir o resto do mundo no desenvolvimento de IT em saúde”.