Por Mario Chao*

A Clínica X é um centro pequeno, que atende em uma cidade do interior do País. Conta com 20 leitos e com um nível de qualidade de serviço com seus clientes que a fizeram se destacar no cenário local por muitos anos. São reconhecidos pela sua proximidade, e exibem orgulhosos seus prêmios no âmbito da qualidade. Há alguns anos estão preocupados em incorporar a tecnologia da informação, especialmente o prontuário eletrônico para melhorar e modernizar o atendimento ao paciente, mas também, porque é uma exigência para manter as suas acreditações. É um grande desafio, porque não tem um departamento de TI e tampouco dispõe de grande capital para investir em projetos de alto custo.

O Hospital Y é um centro médio, localizado na segunda maior cidade do País. Possui um amplo portfólio de serviços e especialidades e a melhor tecnologia em saúde da cidade para evitar que os pacientes precisem se deslocar para a capital e atrair pacientes de cidades vizinhas. Anos atrás, investiram um grande montante de dinheiro para informatizar os processos administrativos, incluindo faturamento, pois essa era uma área vital para a saúde financeira da instituição. No entanto, seus processos clínicos permanecem em grande parte no papel, embora o laboratório e a imagem médica estejam informatizados. Seu corpo clínico demanda um prontuário moderno e informatizado e a ampliação dos canais digitais para comunicação com seus pacientes. É uma instituição vigorosa economicamente, mas teme que o projeto de transformação tecnológica comprometa muito os investimentos nos próximos anos na operação de seus processos tradicionais, especialmente quando sua área de TI está 100% focada no dia a dia operacional.

O Hospital Z é um centro de grande prestígio no País, e sempre que se comenta de saúde, o seu nome surge como referência. Para manter esta posição, tem um compromisso claro e consistente pelas tecnologias sendo pioneiro no investimento de sistemas ERP, sistemas administrativos, LIS, RIS e em sistemas de prontuário eletrônico. Sua área de TI é robusta e tem crescido à medida que o hospital tem uma operação cada vez mais informatizada. Os gestores hospitalares, no entanto, estão preocupados com o crescente desafio de novas tecnologias que estão sendo incorporadas. Não se trata apenas dos sistemas tradicionais, mas a concorrência local exige mais inovação para permanecerem líderes, atualizações constantes de tecnologias, incorporação de novos dispositivos de uso pessoal para trazer seus médicos e facilitar que cada interação de seus exigentes pacientes com o hospital e seus especialistas seja feita por meio de canais digitais.

Não só o custo do projeto de TI tem aumentado, como também, dispende-se muito trabalho e dinheiro incorporar especialistas de eHealth, ainda muito escassos no País. A complexidade da infraestrutura está aumentando exponencialmente e é cada vez mais difícil controlar o “uptime” de sistemas, garantindo a segurança da informação. A equipe de TI não consegue acompanhar o ritmo da demanda das áreas de usuários. Em suma, as exigências de estar sempre à frente em um ritmo frenético de mudança e da incorporação de inovação são muito diferentes de alguns anos. O hospital se pergunta se o desenvolvimento e manutenção de sistemas de informação próprios devem ser atividades a qual devem se dedicar, ou se é hora de pensar em modelos mais inovadores e modernos de gestão tecnológica.

X, Y e Z, são exemplos reais que poderiam muito bem ser um “retrato rebot” dos três cenários comuns que diferentes hospitais e clínicas enfrentam em qualquer país da América Latina, de acordo com seu segmento de mercado (tamanho, complexidade, localização geográfica). O desafio da transformação digital não é opcional, é uma demanda e uma exigência de usuários, pacientes, do organismo regulador e, por fim, do mercado e do mundo em que vivemos.

Independentemente da particularidade de cada hospital, vale a pena compreender, analisar e considerar como a tecnologia da computação em nuvem pode ajudar esses hospitais a enfrentarem seus desafios atuais e futuros.

Em geral, vemos em nossa Região um crescimento pela demanda de serviços de saúde, particularmente e entre outros fatores, pelo crescimento econômico, envelhecimento da população e o aumento das doenças crônico-degenerativas, para citar alguns, que geram uma importante pressão sobre os custos operacionais e de investimento, com a necessidade de se fazer mais com menos e extrair o máximo proveito dos recursos existentes.

Além disso, o paciente espera o melhor para a sua saúde: melhores resultados e tratamentos, formas mais simples, eficazes e seguras para compartilhar informações e interação com seus cuidadores. E as seguradoras demandam mais efetividade, um pagamento com base em valor e resultados do processo clínico, ao invés de um pagamento com base no volume de atendimentos.

Neste contexto, os hospitais precisam repensar como organizações inovadoras, ágeis, eficientes e modernas. Devem pensar em utilizar a tecnologia em nuvem como uma de suas alavancas em sua transformação digital. A nuvem oferece uma grande quantidade de benefícios se comparado com sistemas desenvolvidos e implantados de forma tradicional, vantagens que são evidenciadas em três planos: operacional, funcional e econômico.

Plano operacional

Do ponto de vista meramente operacional, os serviços de nuvem permitem consumir recursos tecnológicos de acordo com as necessidades reais e ajustar rapidamente as capacidades necessárias à medida que o hospital demande. Essa flexibilidade e agilidade gera benefícios enormes, sendo que a infraestrutura pode ser dimensionada conforme são incorporadas novas tecnologias, aplicações e novos usuários, respondendo dinamicamente ao que a operação necessita, pagando somente aquilo que realmente é consumido.

Um exemplo claro pode ser as soluções de Prontuário Eletrônico, em que se pode aproveitar estas vantagens para crescer em equipamentos de informática (capacidade de processamento ou armazenamento) à medida que o hospital realmente necessite. Outro exemplo são as aplicações de imagem médica, grandes consumidoras de espaço de armazenamento, que também podem ser gerenciadas de acordo com a demanda, evitando custos elevados e aquisições de servidores que se tornam obsoletos em pouco tempo.

Por outro lado, os serviços em nuvem, ao contrário do que se possa pensar, oferecem melhor segurança e privacidade para os hospitais, do que os manter in-house. Os servidores em nuvem são invertidos constantemente e possuem as melhores tecnologias para proteger seus clientes contra ataques e ameaças de todo tipo. Os serviços de nuvem oferecem uma tecnologia de controle sofisticada, que vão desde a criptografia de dados, controle de acesso, registro exaustivo de logs, ferramentas analíticas de segurança etc. De acordo com a escala que são ofertados estes serviços, os provedores de serviço em nuvem contam com uma equipe profissional altamente especializada em cyber segurança, que são rentáveis ao prestar serviço a múltiplos clientes. Dificilmente um hospital, por maior e mais significativo que seja, pode atrair e reter seus próprios profissionais que tenham habilidades e desempenho semelhante.

Ao realizar o processo de migração para nuvem, operacionalmente os hospitais podem conseguir ajustar a oferta e demanda, serem mais ágeis dando respostas para as áreas de usuários, simplificando o CPD interno, incrementar a segurança da aplicação e dos dados, ter profissionais qualificados para funções meramente técnicas, que não são o core business, liberando a equipe de TI para poder realizar funções de valor, acompanhamento do negócio e inovação tecnológica.

Plano funcional

Precisamente a nuvem, por sua natureza, desencadeia inovação no setor. Numerosas empresas lançaram produtos e serviços que aproveitam as vantagens da nuvem, melhorando simultaneamente as capacidades de integração e interoperabilidade dos dados em saúde, a implantação massiva e o custo eficiente de soluções de mobilidade, o que explora a chamada Internet da Coisas (IoT, sigla em inglês para Internet of Things). A nuvem habilita oportunidades em toda a cadeia de valor de um hospital, desde o profissional clínico até o administrativo, da recepção ao back office.

Em particular, a nuvem representa uma oportunidade única para que os hospitais adquiram e utilizem o Prontuário Eletrônico de forma mais inteligente: o PE como serviço. Como é conhecido, o PE é um dos sistemas-chave para um hospital, pois registra cada uma das consultas com os pacientes e tem toda a história de saúde adequadamente documentada e convenientemente acessível em tempo real. Porém, muitos hospitais que desenvolveram seus próprias PE enfrentam um enorme desafio de constantes atualizações. Em um cenário na nuvem, as histórias clínicas que se aproveitam desse modelo, como ehCOS Clinic v5, permite que o hospital se beneficie com a inovação e o investimento constante que o fornecedor da tecnologia precisa fazer, mediante pagamento mensal de um contrato.

Para hospitais que querem passar do papel para o prontuário eletrônico, uma abordagem simples, com os módulos centrais da operação, pode ser diferente para começar a transitar por este transcendental processo de mudança, eliminando o estresse de mudança radical e uma decisão de muito maior risco como a aquisição de um novo sistema, complexo, a ser configurado, gerenciado e administrado pelo próprio hospital. O prontuário eletrônico em formato SaaS permite uma adoção tecnológica progressiva, moderna, eficiente e também economicamente viável para todos.

Plano econômico

É precisamente o aspecto econômico um dos grandes impulsionadores de Cloud a nível mundial no âmbito hospitalar e estamos seguros que na América Latina também será um fator crucial para o crescimento e consolidação deste modelo. Os hospitais têm sido beneficiados na aquisição de tecnologias e sistemas chave por meio de custos mensais que vão do gasto operacional, ao invés de grandes investimentos a serem realizado no CAPEX nos modelos tradicionais de aquisição também. Além disso, o custo operacional de profissionais para manter a solução na nuvem implica em uma economia importante na modalidade tradicional de manter a tecnologia in-house.

Em suma, o setor de saúde em geral e o âmbito hospitalar em particular, está seguindo para um modelo de atenção que depende e gira ao redor dos dados e da informação digital, abrindo grandes espaços de inovação e modelos disruptivos na forma que organizam seus processos e modelos operacionais. A tecnologia da informação desempenha um papel crucial para realizar uma gestão hospitalar moderna, sustentável e eficiente. Neste contexto, os modelos informatizados na nuvem e as aplicações como serviço serão chaves para alcançar estes objetivos.

* Vice-presidente da área de Healthcare – everis Americas

Fonte: www.everis.com / ehcos.com