No primeiro HIMSS Executive Summit Argentina, representantes de empresas inovadoras e especialistas em tecnologia da saúde compartilharam experiências e destacaram a importância do surgimento da IA e da implementação de medidas de segurança cibernética.
Por Isaac Chang e Rocío Maure
A inteligência artificial e sua implementação em diferentes setores marcam um antes e um depois em termos de automação de processos e da permeabilidade dessas ferramentas na sociedade. Embora esteja avançando mais lentamente do que outras verticais, o setor de saúde está dando passos firmes no uso da IA generativa, e vários especialistas explicaram o potencial e as possibilidades atuais desse recurso. Em um painel dedicado ao assunto, o Dr. Lisandro Pereyra, CEO da Digital Means, coordenador da área de Gestão do Conhecimento do Hospital Alemão e diretor do Projeto de Prevenção do Câncer Colorretal (Captyva), destacou que, diante da sobrecarga de informações, atrasos na aplicação de evidências científicas e uma crescente carga administrativa para os médicos, a IA pode oferecer soluções concretas.
Nesse sentido, Fernanda Cabalén, diretora de consultoria da Cloudhesive LATAM (parceira Premier da AWS), destacou duas áreas-chave: aprimorar serviços de saúde em cobertura omnicanal e otimizar a gestão administrativa com a automação de processos. Cabalén também enfatizou a importância de colaborar com especialistas que entendam as demandas do setor para desenvolver soluções eficientes que realmente impactem a qualidade dos serviços de saúde.
Por sua vez, Alejandro Varettoni, BDM Digital Imaging da Dedalus LatAm, explicou que, além de oferecer soluções de prontuários eletrônicos (PEP), interoperabilidade e diagnóstico por imagem, a Dedalus está trabalhando em modelos de dados para prever riscos hospitalares, detectando condições como sepse e AVC com base na análise de prontuários clínicos. Ele também destacou o desenvolvimento de tecnologias de escuta ambiente, que permitem capturar interações médico-paciente por meio de IA para automatizar a documentação no prontuário eletrônico, o que reduz significativamente a carga administrativa dos profissionais de saúde.
No caso da Üma Salud, Maico Bernal, Líder de Dados e Interoperabilidade, explicou que eles têm o Google Cloud como parceiro e auxiliam instituições de saúde da América Latina a integrar dados usando o padrão FHIR. Ele destacou um projeto no Peru, onde conseguiram integrar seis sistemas diferentes para um financiador, facilitando o acesso de dados analíticos a um portal de pacientes com 100 mil consultas mensais.
Vale ressaltar que essas soluções contribuem não apenas para o trabalho clínico e de saúde, mas também para os processos administrativos. Martín Capitanelli, Gerente de Operações da Griff Salud, explicou que contribuem para otimizar os processos de seguros de saúde e melhorar o atendimento a mais de 30 mil membros. Atualmente, a empresa conta com um chatbot para validação de consultórios e ferramentas de IA, facilitando as auditorias médicas. A empresa também está desenvolvendo modelos preditivos para analisar o uso de medicamentos de alto custo e práticas complexas.
Por sua vez, o Eng. Matías Karlsson, CTO e Cofundador da Cromodata, explicou que sua empresa aborda o financiamento hospitalar e melhora a representatividade da região com o desenvolvimento de modelos de IA usados em medicina de precisão, o que contribui para sua validação em organizações como a FDA, além de outras similares na Europa. E no que diz respeito especificamente a patologias, Andrea Erbetti, COO e Cofundador da Kuvia, apresentou uma solução de IA que detecta biomarcadores tumorais a partir de imagens digitalizadas de biópsias. Dessa forma, o tempo de análise é reduzido para apenas cinco segundos e a necessidade de suprimentos caros é eliminada. A Kuvia também promove a digitalização de amostras para fornecer diagnósticos mais acessíveis e eficientes.
Durante o encontro, foram apresentadas demonstrações que ilustraram concretamente o escopo atual da IA. Com uma importante trajetória na área assistencial, o Dr. Diego Pereyra, Diretor Global de Saúde da Softtek, apresentou agentes de IA que reduzem a carga burocrática em hospitais e propôs um modelo híbrido no qual, dos 20 médicos necessários, apenas seis seriam profissionais humanos, enquanto 14 seriam agentes de IA responsáveis por tarefas administrativas. Essa solução, já implementada nos EUA e na Espanha, permite a otimização de custos sem sacrificar a eficiência. Para demonstrar isso, o Dr. Pereyra apresentou um vídeo com casos de sucesso de hospitais e clínicas na Europa, Ásia e América Latina.
Por outro lado, sob uma perspectiva técnica especializada, Jorge Pérez, Ph.D. em Ciência da Computação, Microsoft Research Fellow, cofundador e chefe de IA da CERO.AI, explicou a evolução da IA e como as redes neurais são treinadas. A proposta da Cero consiste em aplicar IA para melhorar o agendamento de consultas médicas e reduzir o absenteísmo. Ele apresentou exemplos em que o sistema identifica solicitações de remarcação via WhatsApp, gerencia as alterações de forma integrada e registra cada interação no prontuário médico. O especialista afirmou que, como resultado, a automação permitiu reduzir o absenteísmo em centros médicos de 20% para 8% a 10%, um impacto significativo para a gestão hospitalar.
Cibersegurança e desafios na era da saúde digital
“Há uma necessidade de inovação e transformação no setor, o que abre oportunidades, mas também traz riscos. Devemos encarar esses riscos como oportunidades de mudança, mas sempre com uma especial atenção; a cibersegurança é um deles”, afirmou Cristóbal Cuadrado, Assessor Internacional em Sistemas e Serviços de Saúde da OPAS/OMS, ao abrir um painel no qual diversos especialistas da Argentina e da região apresentaram os principais desafios que enfrentam atualmente e as possíveis soluções.
Daniel Canepa, Gerente de Vendas de Canais Indiretos da Philips, destacou a resistência à mudança como um dos maiores desafios. Para evitar frustrações, ele ressaltou a importância de alinhar pessoas, dados, tecnologia e processos, garantindo uma transformação abrangente e eficaz. Por outro lado, Sebastián Cimino, VP de Inovação e Estratégia de Negócios da Osana Salud, observou que a transformação do sistema de saúde exige uma reinvenção impulsionada pela tecnologia. Ele destacou a telemedicina como uma solução para a descentralização do atendimento e a necessidade de uma mudança cultural em direção a um modelo preventivo.
Já Benjamin Sostaric, Consulting Services Account Specialist da Red Hat, enfatizou que a segurança cibernética é um aspecto transversal, que requer não apenas ferramentas tecnológicas, mas também treinamento cultural para gerenciar riscos na evolução dos sistemas. Para enfrentar esse desafio, Cecilia Machado Aquistapacie, Gerente Regional de Serviços Profissionais da Focus/Grupo DATCO, enfatizou que a segurança cibernética não se limita a sistemas informáticos e dados, mas também envolve pessoas, processos e equipamentos. Ela explicou que a avaliação inicial que realizam, com base em marcos de referência como NIST e ISO 27001, permite analisar o estado de maturidade das instituições em termos de segurança e projetar estratégias de mitigação e melhoria contínua. “Essa abordagem é comparável à prática médica, onde a observação e o monitoramento são essenciais para a evolução do sistema”, concluiu.
“Na América Latina, mais de um milhão de ataques são registrados mensalmente”, alertou Maximiliano Scheinkman, Engenheiro de Sistemas Sênior da Fortinet, destacando a crescente vulnerabilidade das organizações de saúde a ataques cibernéticos. Ele explicou que os hospitais são um alvo atraente devido à sua vasta superfície de ataque, que inclui dados expostos, fornecedores e equipamentos médicos, e enfatizou que a combinação de múltiplos ataques, infraestrutura vulnerável e escassez de pessoal especializado cria um cenário complexo que requer soluções imediatas. A chave, segundo Scheinkman, está na automação de ferramentas de segurança cibernética, permitindo o compartilhamento de informações entre diferentes organizações para fortalecer a proteção dos sistemas. Ele também insistiu na criação de uma comunidade de segurança colaborativa que permita que as instituições de saúde melhorem sua resiliência a ameaças digitais.
Todos os painelistas enfatizaram que o papel do Estado na segurança cibernética no setor da saúde é fundamental para estabelecer uma base consistente que garanta a proteção de dados e o bom funcionamento dos sistemas. Como evidenciado nas diversas apresentações, cada instituição gerencia sua própria estratégia, o que cria brechas de segurança e dificulta a interoperabilidade. Regulamentações obrigatórias poderiam ajudar a definir processos mínimos de proteção e centralizar os alertas de ameaças, permitindo uma resposta mais ágil e coordenada aos ataques.
Para assistir à transmissão do evento, visite o nosso canal no YouTube

