Dados que importam, cuidado que transforma

Entrevistas Notícias corporativas PT

Jeancarlo Luz, EMR General Manager da Philips, comenta os destaques do ConnectDay 2025

Por Paula Penedo

No cenário de veloz transformação da saúde digital, a Philips promoveu, de 30 de setembro a 2 de outubro, em São Paulo, o Philips ConnectDay 2025, evento que reuniu clientes, parceiros e renomados palestrantes para discutir os rumos da inovação no setor. O encontro ocorreu em paralelo ao Tasy Community Summit e foi realizado em parceria com o HIS – Healthcare Innovation Show. Esta edição teve uma novidade importante: foi aberta ao público, ampliando o alcance das discussões e atraindo também potenciais clientes interessados em conhecer de perto as soluções da companhia.

O objetivo foi mostrar como os recursos digitais da empresa estão evoluindo para apoiar hospitais e instituições de saúde em desafios cada vez mais complexos, da eficiência operacional à qualidade assistencial. Sob o tema “Dados que importam. Cuidado que transforma”, o evento reforçou a centralidade das informações na tomada de decisões em saúde. 

Conversamos com Jeancarlo Luz, EMR General Manager da Philips para a América Latina, numa entrevista exclusiva à E-Health Reporter Latin America sobre os destaques desta edição do evento. 

. Qual é o propósito do Philips ConnectDay para a Philips e para seus clientes?

O ConnectDay é o momento anual de mostrar as inovações que estamos trazendo para o nosso portfólio. É quando reunimos parceiros e clientes para apresentar como estamos vendo a saúde e o impacto dos nossos produtos no dia a dia das instituições. Este ano foi especial porque, pela primeira vez, realizamos o evento em parceria com o HIS – Healthcare Innovation Show, o que nos permitiu abrir as portas e receber também prospects, potenciais clientes para ver de perto as nossas inovações.

. O tema desta edição foi “Dados que importam. Cuidado que transforma”. Qual o significado por trás desse título?

Hoje, a digitalização da saúde já é algo obrigatório. Com dados estruturados, conseguimos ter estatísticas, análises eficientes e algoritmos que permitem tomar decisões baseadas em fatos. Essa combinação entre dados que importam e cuidado que transforma reflete justamente a ideia de que, ao acessar dados de forma estruturada, conseguimos identificar tendências antes invisíveis e, assim, melhorar o cuidado em saúde.

. Quais foram as principais inovações do Tasy apresentadas neste ConnectDay?

Destaco três grandes pilares. O primeiro é a migração para SaaS, que é um fundamento para viabilizar inovações em inteligência artificial e, ao mesmo tempo, garante segurança de dados, performance, redução de custos e simplificação na gestão. O segundo é o programa Open API, criado para resolver um dilema crônico da saúde: a questão da interoperabilidade de dados. Ele padroniza as APIs, ou seja, a forma como os sistemas se conectam, garantindo segurança e performance. O terceiro é a inteligência artificial. Estamos demonstrando casos de uso como comandos de voz e estruturação de dados clínicos, com impacto direto em desfechos clínicos e em eficiência operacional. Mas sempre reforço: SaaS e Open API são habilitadores para que a IA realmente funcione.

. Como surgiu a ideia do Tasy Community Summit e qual é seu papel?

O Tasy hoje está presente em cerca de 2.000 instituições na América Latina, impactando mais de 90 milhões de pessoas. No entanto, sabemos que, em média, ele é utilizado em apenas 20% de sua capacidade. Isso acontece por diferentes razões: complexidade, treinamentos que nem sempre acompanham a evolução do sistema e osprocessos internos das instituições. O Tasy Community Summit foi criado justamente para atacar esse problema, trazendo casos de sucesso, abordando dúvidas comuns e mostrando como resolvê-las. A ideia é maximizar a utilização do Tasy, melhorar a percepção de valor e, no fim, beneficiar o paciente. Em nossa experiência, em edições anteriores, 80% das dúvidas ou dificuldades relatadas pelos usuários foram resolvidas em conversas com pares.

. Poderia citar alguns exemplos práticos de inovações recentes incorporadas ao Tasy?

Todos os anos lançamos, em média, 1.000 novas funcionalidades. Isso mostra como a inovação é constante no Tasy. Entre os destaques atuais, cito o gráfico anestésico, que traz dados muito relevantes na área de anestesia, totalmente integrados ao sistema, e os casos de uso de inteligência artificial com comando de voz, onde a consulta pode ser gravada, registrada automaticamente e transformada em um resumo estruturado, sugerindo próximos passos para o médico. O profissional só precisa confirmar, ganhando tempo e podendo dedicar-se mais ao paciente.

. Quais os principais desafios de digitalização que a Philips observa nos hospitais da América Latina?

O que vemos é que o Brasil começou essa jornada alguns anos antes, mas em países como México, Argentina e Colômbia ainda encontramos instituições de altíssimo nível clínico que trabalham com papel. A digitalização é uma jornada que deve ocorrer em ondas, em fases. Não se pula do papel para a inteligência artificial. É preciso primeiro digitalizar os processos, cadastrar corretamente as informações, treinar bem as equipes e, só então, avançar. Esse change management é a chave para o sucesso.

. Que resultados concretos os hospitais já obtiveram com a implementação do Tasy?

Temos vários exemplos. Em um hospital, a implantação estruturada do Tasy levou a um aumento de mais de 20% no faturamento. Em outro caso, em que a instituição já utilizava o sistema, mas de forma pouco otimizada, bastaram alguns ajustes de cadastro e padronização para elevar o faturamento mensal em 30%. Esses resultados mostram o tamanho do impacto que a boa utilização do Tasy pode gerar.

. De que forma, soluções digitais como o Tasy podem contribuir para ampliar o acesso em regiões remotas?

O modelo SaaS tem um papel essencial. Ele reduz o custo total de propriedade (TCO) em até 30% e elimina a necessidade de grandes investimentos em servidores. Isso democratiza o acesso: hospitais de pequeno e médio porte, ou em regiões remotas, podem usar o mesmo Tasy que instituições de referência como o Sírio-Libanês ou o Hcor. Nosso objetivo é garantir processos robustos de gestão, mesmo em locais com menos recursos.

. Em resumo, qual é a visão da Philips para o futuro da saúde digital?

Nosso foco é sempre duplo: melhorar desfechos clínicos e aumentar a eficiência operacional. Acreditamos que, com dados de qualidade, interoperabilidade segura e inteligência artificial aplicada, conseguimos transformar o cuidado em algo mais ágil, eficaz e centrado no paciente.

Please follow and like us: